Rumo a padrões reforçados de confidencialidade: análise do tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes em sentenças de cassação peruanas
Resumo
O presente estudo examina a proteção dos dados pessoais de crianças e adolescentes nas sentenças de cassação proferidas pela Suprema Corte de Justiça do Peru e publicadas no Diário Oficial El Peruano entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Foram selecionadas dez sentenças que fazem referência a uma ou mais pessoas pelas letras iniciais de seus nomes. A metodologia adotada foi de abordagem qualitativa, com análise documental e codificação temática. Foram examinadas seis dimensões: matéria do processo, precisão da anonimização, utilização de prenomes, menção aos genitores, endereços residenciais e outros dados contextuais. Os achados evidenciam que a proteção da identidade é irregular e, muitas vezes, insuficiente, havendo casos em que são revelados nomes completos, endereços residenciais ou instituições vinculadas aos menores. O marco teórico articula os princípios normativos nacionais e internacionais relativos à proteção de dados e aos direitos da criança e do adolescente, com ênfase na colisão entre a transparência judicial e a proteção da intimidade. Em razão de a publicação das sentenças ser obrigatória, mesmo quando não constituem precedente judicial, existe a necessidade de reforçar os padrões de anonimização. Propõem-se cinco padrões reforçados de confidencialidade na publicação de sentenças relacionadas a crianças e adolescentes: (i) desidentificação integral de toda informação direta ou indiretamente rastreável, incluindo dados familiares, educacionais ou contextuais; (ii) aplicação uniforme da reserva de identidade em qualquer tipo de processo judicial; (iii) manutenção da proteção mesmo após o atingimento da maioridade, quando os fatos tiverem ocorrido durante a infância ou a adolescência; (iv) implementação de um duplo controle institucional, judicial e editorial, antes da divulgação oficial da sentença; e (v) exigência de fundamentação reforçada, que imponha a justificação expressa da compatibilidade entre a publicidade judicial e a proteção da identidade de pessoas menores de idade.
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